Como tudo desabou: os fatores que levaram o Sport ao rebaixamento
MatériaMais Notícias
“Mesmo sabendo o que forja ser Sport Club do Recife, é necessário exaltar em toda oportunidade. E agradecer.” Foi assim que o Sport se despediu da Série A e tentou, de certa forma, pedir desculpas ao seu torcedor após um dos anos mais vexatórios de sua história.
continua após a publicidadeRelacionadasFutebol NacionalPrêmio Brasileirão volta esvaziado após quatro anos sem ser realizadoFutebol Nacional08/12/2025Futebol NacionalCBF premia destaques do Brasileirão 2025; veja vencedoresFutebol Nacional08/12/2025Fora de CampoBola de Prata e leitores do L! elegem mesmo craque do BrasileirãoFora de Campo08/12/2025
O rebaixamento, por si só, já expõe a fragilidade interna vivida pelo Sport. O problema ganha proporção ainda maior quando analisada a campanha: o time registrou 14,9% de aproveitamento, uma das piores da história do Brasileirão, ficando à frente apenas da Chapecoense de 2021, que teve 13,1%. O descenso, embora confirmado apenas mais tarde, era encarado como inevitável diante do desempenho acumulado ao longo da temporada.
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
No futebol, assim como não existe vencer sozinho, também não se perde sozinho. O Sport errou em diversas camadas: montagem de elenco questionável, mudanças frequentes no comando técnico, escolhas equivocadas de profissionais, renúncia presidencial, salários atrasados e desempenho muito abaixo do esperado em campo. Uma combinação que forma a cartilha clássica de um rebaixamento anunciado.
continua após a publicidadeO rendimento e a parcela de culpa dos jogadores
É natural apontar que o elenco também carregou sua parcela de responsabilidade. Além de numeroso, não se tratava de um grupo barato: foram investidos pouco mais de R$ 60 milhões, valor que corresponde a mais de 20% do orçamento projetado para 2025, estimado em mais de R$ 180 milhões.
➡️ Rebaixados na Série A precisam recalcular orçamentos e mudar rota financeira em 2026
Em campo, o Sport viveu uma temporada marcada por rendimento muito abaixo do esperado no Brasileirão de 2025. O time somou apenas 2 vitórias em 38 jogos, com 11 empates e 25 derrotas, desempenho que resultou em aproveitamento de 14,9%. A equipe balançou a rede 28 vezes e sofreu 75 gols, números que expõem a fragilidade coletiva ao longo da campanha e ajudam a explicar o colapso competitivo que levou o Leão a um dos seus piores desempenhos na era dos pontos corridos.
continua após a publicidade
Nem mesmo a Ilha do Retiro serviu como refúgio. Em 19 partidas em casa, o Sport venceu 1, empatou 7 e perdeu 11, registrando aproveitamento de 17,5%, com 17 gols marcados e 39 sofridos. Longe do Recife, o cenário foi ainda mais duro: 1 vitória, 4 empates e 14 derrotas, somando 12,3% de aproveitamento, além de 11 gols feitos e 36 sofridos.
— Entre tantas outras deficiências, alguns jogadores mostraram falta de comprometimento com a instituição. A passividade na maioria esmagadora dos jogos foi o que mais chamou atenção, mais até que alguns resultados. Os placares, aliás, foram fruto dessa passividade — disse Felipe Holanda, setorista do Sport no “LeiaJá”.
Tudo o que aconteceu em campo, naturalmente, se refletiu fora dele. Mesmo nos momentos mais difíceis, a torcida do Sport tentou se manter firme, acompanhar o time e oferecer apoio. Porém, havia um limite: em determinado ponto, a relação entre desempenho e expectativa ruiu, e a Ilha do Retiro deixou de responder como antes.
— Foi chegar no dia do jogo e não sentir clima nenhum. Ver a cidade parada, a Ilha “morta”, as pessoas desacreditadas. Ir para o estádio sem aquela emoção, sem vontade de estar ali. Não conseguir nem comemorar um gol. Isso, para mim, resumiu o quanto 2025 machucou o torcedor — explicou a torcedora Giulia Ferro, em entrevista ao LANCE!.
Troca de técnicos no Sport
Um dos símbolos mais marcantes do rebaixamento do Sport está na beira do campo. Ou, mais precisamente, na dificuldade do clube em manter a continuidade do trabalho de um treinador ao longo da temporada.
O Leão iniciou o ano com o técnico Pepa. No Brasileirão, somou cinco derrotas consecutivas em sete partidas, sendo superado por Palmeiras, Vasco, Red Bull Bragantino, Corinthians e Fluminense. Contratado em setembro do ano anterior, Pepa acumulou 39 jogos no total, com 21 vitórias, seis empates e 12 derrotas, aproveitamento de 58,9% e o título pernambucano.
Após sua saída, o clube contratou outro treinador português, António Oliveira, que havia trabalhado em Santos, Athletico, Cuiabá e Corinthians. Sua passagem foi curta. Ele comandou o time em quatro jogos da Série A, registrando três derrotas e um empate.
Daniel Paulista foi quem permaneceu por mais tempo à frente da equipe na competição. Ele dirigiu o Sport em 18 partidas e conquistou duas vitórias, contra Grêmio e Corinthians, além de oito empates e oito derrotas. Apesar de certa evolução, o rendimento não foi suficiente para evitar o rebaixamento.
A temporada terminou com César Lucena no comando. Ele assumiu na reta final, mas perdeu todos os jogos que disputou até o encerramento do campeonato.
A política no Sport
A política também foi um fator determinante no rebaixamento do Sport. O presidente Yuri Romão chegou ao limite e entregou seu pedido de renúncia ao comando do clube. Agora, nas próximas semanas, o Sport passará por novas eleições para definir um presidente que terá a missão de revisar todo o planejamento financeiro e readequar a instituição à sua realidade, especialmente após os altos investimentos feitos em contratações.
Esses problemas, porém, não são exclusivos desta temporada. Em 2021, ano em que o Sport também caiu para a Série B, o clube passou por cinco presidentes e viveu uma crise política sem precedentes, o que mostra como a instabilidade interna tem sido um elemento recorrente na construção desses resultados.
— Com certeza. Tudo vira um jogo político, e os interesses passam por cima do amor ao clube. Muitas dessas pessoas nem entendem o que o Sport significa para a torcida. Em época de eleição, então, é ainda pior: conflitos, brigas internas, gente querendo pisar nos outros. Isso tudo foi me afastando. Me fez perder o gosto de assistir jogo, de estar na Ilha, porque parecia que nada mais era sobre futebol — disse Giulia.
Diante de um cenário de crise esportiva, financeira e institucional, o Sport caminha para uma eleição que terá peso determinante no futuro do clube. A reconstrução exigirá decisões difíceis, prioridades bem definidas e uma gestão capaz de reorganizar a casa antes de mirar voos mais altos.
O ambiente é de cautela, e a sensação geral é de que o próximo presidente herdará um clube fragilizado, pressionado pela urgência de respostas e por uma torcida que, após tantos erros acumulados, observa cada movimento com desconfiança.
Candidatos à presidência do Sport
Matheus Souto Maior — chapa “Leões Pela Mudança (LPM)”Manoel Veloso — chapa “Sport Eterno”Antônio Júnior — chapa do “Sport Unido para Vencer”Sport vai passar por reformulação?
O elenco do Sport conta com nomes conhecidos no cenário nacional, como Lucas Lima, Chrystian Barletta e o atacante Pablo. O camisa 10 terminou como o jogador mais participativo da equipe, envolvido diretamente em 9 gols e liderando o ranking de assistências com 6 passes.
➡️ Clique aqui e baixe o app do Sofascore para ficar por dentro de estatísticas e resultados de futebol em tempo real
Derik Lacerda aparece logo atrás, com 6 participações diretas, além de encerrar a temporada como artilheiro do time ao marcar 6 gols. Pablo também figurou entre os mais influentes do setor ofensivo, com 4 participações e 3 gols. Entre os goleadores, Derik liderou, seguido por Lucas Lima e Pablo, ambos com 3 gols. No ranking de assistências, além da liderança de Lucas Lima, Matheusinho contribuiu com 2 passes decisivos, enquanto Diogo Hereda completou a lista com 1.
Mesmo com atletas conhecidos, esses nomes terão de ser reavaliados. Isso porque, segundo o diretor de futebol Enrico Ambrogini, a folha salarial de 2025 é superior ao que o clube conseguirá arcar em 2026, ano de receita reduzida por conta da disputa da Série B.
— As questões urgentes são principalmente relativas à folha, que hoje não é compatível com o ano que vem. Então, se tem proposta de saída, se tem renovação, você tem que tomar essas decisões quanto antes — disse.
Em meio ao desgaste emocional provocado pelo rebaixamento e pela sequência de temporadas turbulentas, parte da torcida do Sport tem cobrado uma mudança profunda na postura e no perfil do elenco. A sensação dominante é de que faltou entrega em campo e de que muitos jogadores não corresponderam ao peso da camisa em um dos anos mais difíceis da história recente do clube. É nesse clima de indignação, cobrança e desejo de reconstrução que surge o desabafo do torcedor.
— Sim, precisa urgentemente. Fico muito triste com o que vi: jogadores sem força, sem raça, sem vontade, sem colocar o pé em dividida. Gente que não entendeu a camisa que estava vestindo. E outros que acham que são maiores que o clube por terem uma carreira boa. Mas ninguém é maior que o Sport. Eu reformularia quase todo o elenco, manteria três ou quatro peças no máximo e, antes de contratar alguém, perguntaria se essa pessoa realmente está disposta a viver o clube, entender o peso da camisa e respeitar nossa história. Com o Pernambucano começando já em janeiro, temos cerca de um mês para reconstruir tudo. Apostaria nos meninos da base no início, buscaria nomes comprometidos, e trabalharia para que a Série B seja um ano de reestruturação para voltarmos à elite e permanecermos. O Sport é grande demais para repetir o que foi em 2025 — finalizou Giulia Ferro.
Tudo sobre
BrasileirãoFutebol NacionalSport